Os Caminhos Errantes da Música Improvisada

Em oito capítulos e a partir de 25 anos de dedicação, o autor do livro Música Errante: O Jogo da Improvisação Livre, propõe um aprofundamento dos estudos sobre a improvisação musical contemporânea.

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A superação das hierarquias e a possível integração entre as funções de compositor e intérprete, a música em sua relação com a filosofia, a psicologia e a semiótica, os caminhos da contemporaneidade e a busca de uma prática voltada ao presente. São estes alguns dos motes para a escrita e publicação de Música Errante, fruto dos trabalhos de elaboração e organização das teses de mestrado, doutorado e livre docência, além de artigos e conferências de Rogério Luiz Moraes Costa.

Amparado pela experiência pessoal do autor e enriquecido pelo seu contato, de um lado com grupos musicais experimentais e de outro com pesquisadores e acadêmicos, Música Errante articula várias áreas de conhecimento, da estética à análise musical e à sonologia, até as ciências cognitivas e a crítica genética. Usando como base as obras de Derek Bailey, Gilles Deleuze e Félix Guattari, Costa faz extensa reflexão sobre livre improvisação e filosofia, passando pelos estudos dos elementos que favorecem e propiciam a improvisação musical e engajando-se ainda em estudos sobre o tempo e sua configuração nessas práticas.



 

O RITMO DA IMPROVISAÇÃO: A EMERGÊNCIA DE UM ESTILO/TERRITÓRIO
Considerando o músico como um componente complexo do ambiente de improvisação, é possível pensá-lo como um “meio”. Para Deleuze e Guattari, o meio se confunde com um bloco de espaço-tempo no qual se dá o “ritornelo”, em que o vivo se destaca do caos. Ele tem uma membrana móvel que é um ponto de mutação indiscernível, sempre aberta ao caos. Pode-se, portanto, imaginar que numa improvisação cada músico e sua atuação é um “meio” e que o que se estabelece entre os músicos – a performance propriamente dita – é um “ritmo”. O ritmo é o “modo” de relação, de conexão entre os músicos. Ele aflora no contato (intencional e casual) entre eles. É uma “pulsação”, uma conjunção entre os meios. Nele acontece uma área de transcodificação como no exemplo da aranha e da mosca: o ritmo da relação entre elas é o que gera a teia. É “pensando” no voo da mosca que a aranha traça sua teia: um terceiro elemento que é gerado a partir da relação-ritmo que se estabelece entre esses dois organismos. No plano de consistência da improvisação é importante que haja um ritmo fluente entre os diversos meios para que ela se dê de forma potente. Não é com qualquer elemento que se estabelece um ritmo: a teia não surge a partir da relação entre a aranha e o sol. O ritmo fluente depende da configuração dos meios da “permeabilidade” da membrana de cada um. É necessário que haja um fino equilíbrio entre uma atitude que visa a manutenção da identidade de cada meio/músico através de uma atuação intencionada e pessoal que supõe um “reforço das membranas” e uma atitude inversa que enfatiza as conjunções que se estabelecem entre eles, o que, numa certa medida, significa um enfraquecimento das membranas. Talvez seja mais adequado dizer que pode haver gradações na relação entre esses diferentes meios e que estas configuram diversos tipos de equilíbrio e entrosamento. A ideia de ritmo supõe sempre interações dinâmicas. Deleuze e Guattari são enfáticos quando discorrem a respeito das relações entre o ritmo e o caos e da oposição entre ritmo e medida:

O caos não é o contrário de ritmo, é antes o meio de todos os meios. Há ritmo desde que haja passagem transcodificada de um para outro meio, comunicação de meios, coordenação de espaços-tempos heterogêneos.



servletrecuperafotoROGÉRIO LUIZ MORAES COSTA é professor, músico e pesquisador, formado pela ECA-USP. Doutorou-se no Departamento de Comunicação e semiótica da PUC-SP e realizou projeto de pesquisa de pós-doutorado em Paris, França, na Université Paris 8. Fundou e integrou o grupo Akronon de livre improvisação e o grupo de jazz brasileiro Aquilo Del Nisso. Atualmente coordena na USP um projeto de pesquisa sobre a improvisação e suas conexões com outras áreas de estudo, tais como composição, educação, tecnologia, etnomusicologia, filosofia e ciências cognitivas.



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MÚSICA ERRANTE
O Jogo da Improvisação Livre
Rogério Luiz Moraes Costa
Assunto: Música

Coleção: Estudos
Dimensões: 12,5 x 22,5

ISBN: 978-85-273-1073-4

R$ 56,00

Lançamento

3 de dezembro, das 18h30 às 21h30

Livraria da Vila (Fradique Coutinho – 915)

Apresentação  Orquestra Errante



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