Radicalização do Cênico

Isto Não é um Ator procura colocar à disposição do atual e marcante movimento cênico brasileiro saberes e feitos da companhia italiana Socìetas Raffaello Sanzio

Fundada em 1981, a companhia italiana Socìetas Raffaello Sanzio é considerada uma das mais  importantes e inovadoras na cena teatral contemporânea. Contudo, o público brasileiro ainda conhece apenas parcialmente sua rica experiência artística focada no corpo, na imagem e na presença.

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Ferreira analisa experiências artísticas, espetáculos e processos criativos observados na sede da Socìetas Raffaello Sanzio em 2012, e, principalmente a relação peculiar da companhia com a infância. Embora dialogue com autores do campo da filosofia, do teatro e da pedagogia, a autora não pretende justificar teoricamente a práxis da Socìetas Raffaello Sanzio, “como se a pratica artística só pudesse ser avaliada a partir de uma teoria externa a própria experiência”, mas, sim, apresentar o trabalho da companhia e sua relevância, principalmente ao pôr em discussão as ideias convencionadas por público, infância, corpo, percepção e arte.



Se, por um lado, o fato de a Raffaello Sanzio não possuir um núcleo fixo de atores gera a formação contínua de pessoas no interior dos processos de criação dos espetáculos, por outro, os percursos formativos em escolas e em laboratórios resultam em espetáculos importantes do ponto de vista estético e da renovação dos procedimentos empregados em sua criação. A associação da ideia de pedagogia às práticas da Raffaello Sanzio, contudo, é refutada pelos membros da companhia com a afirmação de que tais práticas, mesmo as escolas, não possuem o objetivo de formar ou educar pessoas, nem mesmo de transmitir conhecimentos ou técnicas e, sim, de realizar experiências puramente artísticas. Este estudo, porém, busca reconhecer que, apesar das intenções “não pedagógicas”, as práticas da Socìetas Raffaello Sanzio constituem um ambiente significativo de formação de pessoas (crianças, jovens, atores, não atores, espectadores) no âmbito do teatro contemporâneo e, por suas especifidades, trazem importantes contribuições para o questionamento e a renovação dos procedimentos e mesmo das concepções das práticas pedagógicas atuais.
Investigar o percurso artístico da companhia na perspectiva pedagógica e formativa permite, portanto, pesquisar concepções de práticas pedagógicas teatrais que têm como propósito não a transmissão de conhecimentos ou técnicas, mas a criação de espaços de experiência e de ambientes de experimentação. A análise dos tipos de experiências que são produzidas no interior das práticas artísticas da companhia, que possuem características como a diluição de fronteiras entre a criação artística e a formação, entre o processo e o produto, entre o papel e espectador e o papel de participante, permitirá investigar as contribuições de tais experiências ao ensino do teatro na contemporaneidade, bem como à formação do ator e do performer.





1 p&b.JPGMELISSA FERREIRA atua como diretora, atriz, performer,
pesquisadora e professora universitária na área das artes cênicas. Doutora em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina. É cofundadora do Cria – Coletivo de Teatro, Educação e Gênero. Em sua pesquisa atual, investiga as articulações entre o ensino do teatro, a formação do ator e a criação artística e as presenças da infância no teatro e na arte contemporânea.

 



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Isto Não é um Ator será lançado dia 30 de setembro, às 17h, na Escola de Minas, em Ouro Preto! Não perca!

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