Procura-se uma Personagem (Mais) Complexa

Quando o papel do público e do ator no teatro deixa de ser jogo artificial e passa a ser expressão orgânica do natural, algo precisa ser explicado. Senhoras e senhores, temos o prazer de apresentar, nesta feira de ideias e debates, ninguém menos que Constantin Stanislávski!
Do fortuito encontro entre Constantin Stanislávski e Nemiróvitch-Dântchenko surge a ideia de um novo teatro, proveniente de uma arte genuína, na qual finda o momento mágico da ilusão e começa o instante lógico da explicação.

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Da necessidade de  melhor explorar, neste sentido, o pensamento e o processo criativo de um dos maiores nomes do teatro russo, nasce Stanislávski em Processo: Um Mês no Campo – Turguêniev, um atento mapeamento de autores e artistas que cruzaram e deixaram marcas no trabalho stanislavskiano. Nomes como Tchékhov, Meierhold, Duncan e Gordon Craig são alguns dos protagonistas desta detalhada análise, fruto da pesquisa de Simone Shuba. A autora faz o papel de guia aos entusiastas do teatro, neste que se pretende um trabalho de investigação do trabalho e pensamento de Stanislávski. Através da análise de personagens que transparecem o processo criativo dos envolvidos, descrições cenográficas, figurinos e, acima de tudo, a recepção do público frente a este novo tipo de encenação, ela consegue chegar ao espetáculo enquanto fenômeno. Stanislávski em Processo pretende esmiuçar elementos de forma isolada, para depois colocá-los em perspectiva e, só então, chegar a uma tão necessária análise do teatro russo
do fim do século XIX.

 

A dramaturgia inovadora de Tchékhov obriga Stanislávski a trilhar novos rumos. Como lhe é peculiar, ele mergulha no trabalho e se retira para o campo, a fim de elaborar o plano de direção cênica e a montagem do espetáculo. Stanislávski estabelece uma nova dinâmica de tempo, por meio de pausas e espaço, pela movimentação na cena. Surge a partitura de direção, que conta com anotações sobre a composição cênica, com o objetivo de transformar o texto literário em texto cênico, ou seja, a criação de uma estética teatral para poder expressar o conteúdo do texto na cena. Stanislávski, com muita sensibilidade, traz ideias inovadoras e interessantes que agradam tanto a Nemiróvitch-Dântchenko quanto a Tchékhov, como atesta esta carta de Nemiróvitch-Dântchenko para Stanislávski em 12 de setembro de 1898: “Sua mise-en-scène provou ser encantadora. Tchékhov ficou extasiado”.
Stanislávski, nessa época, não tem a necessidade de um novo tipo de ator, um ator criador. Com a própria evolução da encenação, onde o texto deixa de ser a primeira pessoa no teatro,o desejo de uma nova abordagem para a arte do ator se tornará urgente.

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SOBRE A AUTORA

ShubaSimone Shuba é formadora de atores, atriz, diretora teatral e pesquisadora. Mestre em Literatura e Cultura Russa pela FFLCH-USP. Leciona no Teatro Escola Macunaíma há dezoito anos. Atriz com passagem pelo CPT, sob a coordenação de Antunes Filho. Especialista em meditações ativas do mestre indiano Osho. Diretora artística da Cia dos Viajantes. Foi coordenadora do Studio das Artes e lá desenvolveu projetos como “Encontros com Pesquisadores”.

Pesquisadora teatral do Sistema Stanislávski com a orientação de Elena Vássina. Participa, desde 2010, de oficinas, cursos e experiências de intercâmbio artístico com importantes diretores-pedagogos russos: Anatoli Vassiliev, Adolf Shapiro e Sergey Zemtsov.

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