Passeio Pela República

Para compreender as ideias de Platão, um passeio pelas ideias expostas em A República não é o suficiente. É preciso uma Arqueologia da Política.

 

Tratando-se de uma discussão inesgotável, A República de Platão recebe, em Arqueologia da Política: Leitura da República Platônica, uma nova reflexão. Paulo Butti de Lima propõe um estudo da gênese política, ao longo de uma análise aprofundada de segmentos dados como principais, e do desenvolvimento de discussões acerca do poder e do conhecimento.

Através do estudo de conceitos isolados, Arqueologia da Política procura expandir o entendimento de determinadas passagens para, em seguida, dinamizá-los como peças orgânicas de um todo.

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Desde a discussão de pontos críticos, como a não unidade e os limites do saber, até pontos que muitas vezes passam despercebidos, como as condições do discurso, Butti pretende discutir problemas básicos da reflexão platônica, sob a lente da natureza do saber na dinâmica da vida na cidade-estado.

De forma bastante esquemática, o autor introduz questões que cercam a ideia de cidade, permanentemente atravessada pela função do filósofo, a importância da música e da filosofia no papel do governante e as formas de comunidade enquanto princípio de compreensão política. A República de Platão é relida sob uma ótica absolutamente ampla e profunda, entre critérios e valores para a construção da já tão falada cidade justa.

 

Observando que também a defesa da poesia se realiza em prosa – e deve ser assim para que possa tratar não só do prazer, mas também da utilidade –, Sócrates indiretamente nos lembra que, neste mundo em conflito – a vida intelectual em Atenas, e não somente ali –, sempre maior era o espaço das formas prosaicas. A prosa ocupa a cena na cidade, nos debates políticos e judiciários (uma prosa que era observada em sua “arte” e que se transmitia por escrito), nas paráfrases e nos comentários da poesia, nas formas narrativas, as quais também ocupam, cada vez mais, os lugares que antes eram reservados aos poetas.

Mas não somente os filopoetas, também os filósofos são prosadores. A educação especificamente filosófica, de que se fala no livro sétimo da República, não se confunde com a educação os guardiões. É preciso dizer, em primeiro lugar, o que esta educação superior não é, e a este respeito os interlocutores do diálogo não parecem ter dúvidas: não se trata de uma educação musical. Pois o aprendizado da filosofia nada possui em comum com a música e a poesia.

 

 

PAULO BUTTI DE LIMA
Butti 4Pós-graduado na Scuola Normale Superiore de Pisa e na Scuola Superiore di Studi Storici da República de San Marino, onde também lecionou até 2002, quando tornou-se professor de História do Pensamento Político Clássico, na Universidade de Bari.Foi professor convidado pela USP e pela EHESS de Paris. Estudioso do universo platônico e de história das doutrinas políticas, é também autor de Platão: uma poética para a filosofia.

 

 

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