Jogo e Formação no Palco

Quantos Brechts, Müllers e Brueghels são necessários para levar um ateliê de pintura ao palco? Quais são as possibilidades pedagógicas desse encontro?

Alegoria em Jogo

 

Partindo de experiências teatrais construídas com aprendizes e futuros professores, o autor de Alegoria em Jogo: A Encenação como Prática Pedagógica, Joaquim Gama, explora o que chama de “teatro de figuras alegóricas” num laboratório para uma nova abordagem estética da pedagogia teatral. Utilizando gravuras de Peter Brughel, o Velho, Gama propõe um guia de leitura para Os Sete Vícios Capitais e analisa o percurso de montagem do espetáculo Chamas na Penugem que dele resulta.

Chamas na Penugem é constituída por três eixos básicos, que se articulam através da textualização das narrativas. Primeiro, a descrição oral das  gravuras de Brueghel, o Velho. Depois, a formatação cênica pelos intérpretes de alegorias e, por fim, as próprias gravuras. Para que o leitor possa entrar no universo do pintor, é necessário iniciar as discussões através de um maior entendimento das alegorias para, em seguida, desenvolver questões acerca de abordagens estéticas e pedagógicas. Para chegar a alguns pontos primordiais, Gama defende propostas artísticas que dependem da fusão artista-docente, entendendo que ateliês de criação podem ser transformados em salas de aula.

 

 

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Alegoria em Jogo pretende expandir a leitura da obra de Peter Brueghel, o Velho, para possibilitar um novo horizonte de reflexões acerca da didática e do ensino no processo de aprendizagem teatral.

 

A Antiguidade greco-latina e cristã, que avançou pela Idade Média, costumava dividir a alegoria em duas classes: uma denominada de alegoria dos poetas e a outra de alegoria dos teólogos. A primeira era concebida como uma técnica metafórica de representar ou personificar abstrações, segundo a qual a alegoria era vista como ornamentação de discursos produzidos para a prática forense e poética. Deve-se ressaltar que, regida por convenções, o principal valor da alegoria dos poetas estava no efeito que ela seria capaz de produzir nos discursos.
A alegoria dos teólogos era um modo de interpretação religiosa das coisas, dos homens e dos eventos figurados em textos sagrados. Valendo-se de um conjunto de regras interpretativas, a alegoria dos teólogos ou o processo de alegorização cristã deixou de lado o sentido das palavras no texto e passou a investir mais na interpretação dos acontecimentos
e das personagens históricas.

 

 

 

O AUTOR:

Joaquim Cesar Moreira Gama

Joaquim Cesar Moreira Gama é mestre e doutor em Artes pela Escola de Comunicação e Artes – ECA-USP, onde leciona na área de concentração Pedagogia do Teatro, em cursos de licenciatura, especificamente no departamento de Artes Cênicas. É coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Autor de artigos voltados ao aprendizado teatral, às relações entre a escola e o teatro e aos processos de formação artística na contemporaneidade.

 

 

 

 

 

 

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